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O que 276 conversas mostram sobre professores montando prova com IA

Por Fabio Santana 5 min de leitura

Quase tudo que se escreve sobre IA na educação é opinião. Este texto não é: ele sai da leitura de 276 conversas reais dentro do FormsFlow, ao longo de 14 meses de operação, classificadas uma a uma.

Antes de qualquer número, o combinado: nada aqui identifica uma pessoa, uma escola ou um município. Não há nome, não há cidade, não há transcrição de pedido — apenas contagens agregadas grandes o bastante para não apontarem para ninguém. Nenhum número abaixo se apoia em menos de 20 conversas.

Metade de tudo que se pede é avaliação

Das conversas externas com um pedido de verdade, 51% são prova, quiz, simulado ou verificação de aprendizagem. Nenhuma outra intenção chega perto: pesquisa e feedback ficam em 14%, e o resto se espalha em fatias pequenas — inscrição em evento, ficha de coleta, formulário de contato.

Não é um resultado óbvio. Um criador de formulários com IA poderia ser mil coisas; na prática, ele virou uma ferramenta de aplicar avaliação. E, dentro disso, o retrato de quem usa é homogêneo: professor ou coordenador da educação básica, trabalhando sozinho, produzindo avaliação para a própria turma.

O material quase nunca é vídeo

Este foi o achado que mais contrariou a expectativa de quem construiu o produto.

  • 82% das conversas trazem apenas texto
  • 16% trazem um PDF
  • menos de 3% somam link, vídeo do YouTube e página web como fonte

O suporte a vídeo é a funcionalidade mais cara de construir e manter, e é a menos usada de todas. Enquanto isso, o caminho campeão é o mais banal: alguém colando texto.

As portas de entrada não convertem igual

Cada conversa começa de um jeito, e o jeito prevê o desfecho. A taxa é de conversas que terminaram com um formulário efetivamente criado no Google Forms:

Como o pedido chegaConversasVira formulário
A pessoa descreve com as próprias palavras4856%
A pessoa cola um conteúdo que já tinha pronto3853%
A pessoa anexa um arquivo3647%
A pessoa clica numa sugestão pronta da tela3438%
Nenhuma mensagem foi enviada440%

Duas leituras saem daí, e as duas incomodam.

A primeira: o botão de sugestão é a pior porta. Ele existe para ajudar quem não sabe por onde começar, e produz o pedido mais raso — “quero criar um quiz educativo”, sem tema, sem série, sem quantidade de questões. O pedido raso gera uma prova genérica, e a prova genérica ninguém termina.

A segunda: um em cada cinco chats nunca recebeu uma linha. São 44 conversas abertas e abandonadas antes da primeira mensagem. É uma métrica de produto antes de ser uma métrica de uso — e a lição é que boa parte do funil que a gente contava era ruído.

O pedido mudou de natureza

Os 14 meses se dividem em três fases bem visíveis, e a última é diferente das outras duas.

No começo, o pedido típico era “crie uma prova sobre tal assunto”. A pessoa chegava de mãos vazias e esperava que a IA inventasse o conteúdo. Cerca de 10% das conversas traziam algum material anexado.

Nos últimos três meses, 51% das conversas chegam com o conteúdo pronto — a prova colada do Word, o capítulo em PDF, o roteiro que a pessoa escreveu em outro lugar. O pedido deixou de ser “escreva por mim” e virou “passe isto para o Google Forms”.

É uma inversão importante. No primeiro caso a IA é autora e o professor é revisor, o que ninguém pediu e quase ninguém quer. No segundo, o professor continua sendo o autor da prova — o julgamento pedagógico é dele, as questões são dele — e a máquina faz o transporte, que é digitação pura. A parte chata do trabalho é a que dá para automatizar sem perder nada.

E a retenção, que é o número difícil

127 de 131 contas ativas usaram o produto em um único mês e não voltaram. Nenhuma usou em três meses distintos.

Publicar isso não é confortável, mas evita a conversa errada. Um professor não monta prova todo dia: ele monta em bloco, no fim do bimestre. Uma ferramenta assim é sazonal por natureza, e medi-la com régua de app diário só produz conclusão falsa. Ainda assim, quatro contas recorrentes em 131 é pouco por qualquer régua, e o número está aqui para ser cobrado na próxima leitura.

O que fizemos com isso

Três mudanças saíram diretamente destes números:

  1. A tela inicial passou a pedir o conteúdo, não a ideia. Colar a prova pronta é o caminho com melhor conversão entre os que exigem pouco do usuário; ele merecia estar na frente, não escondido atrás de sugestões genéricas.
  2. A página sobre converter uma prova já escrita foi reescrita em cima do trabalho que as pessoas realmente pedem: sair do Word ou do PDF e chegar no Google Forms sem redigitar.
  3. O vídeo saiu do centro da comunicação. Continua funcionando para quem usa, mas parou de ocupar o lugar do caso principal.

Como estes números foram apurados

Foram lidas as 276 conversas registradas entre julho de 2025 e setembro de 2026, excluídas as contas da própria equipe e as de demonstração — que, por terem 75% de conversão contra 39% das externas, inflariam qualquer indicador. A classificação de intenção é heurística, revisada manualmente conversa a conversa, e vale como ordem de grandeza, não como contagem exata. “Virou formulário” significa que existe um Google Forms criado ao fim da conversa.

Nenhum dado pessoal, nome de instituição ou trecho de conversa foi usado neste texto. Os números são agregados, e nenhum deles se apoia em um grupo pequeno o bastante para identificar alguém.

Transforme seu próximo arquivo em um Google Forms

Descreva, anexe um PDF ou cole um link do YouTube. A IA monta as perguntas e exporta direto para o seu Google Forms.

Sem cartão de crédito. Seus formulários ficam no seu Google Drive.